O que toda empresa quer, mas nenhuma pode comprar?
A resposta é cruel e simples: tempo. É um clássico exemplo de barco de Teseu — você muda cada uma das peças de madeira que o compõem, mas ele continua sendo um barco, talvez não o mesmo, mas ainda assim o barco de Teseu. Como?
Vamos levar em consideração 30 anos de história. Três décadas é tempo suficiente para praticamente tudo mudar dentro de uma empresa. Da clientela à chefia, passando por processos e tecnologia nova que surgiram ao longo do tempo. O que faz uma empresa atravessar tanto tempo e não se desconfigurar totalmente?
Os valores.
Cultura é o que a empresa acredita
Toda empresa tem algum tipo de cultura.
Mesmo aquela que nunca escreveu uma missão, definiu valores ou realizou uma reunião para falar sobre o assunto. Porque cultura não é só discurso e vai além de um manual. Ela aparece nas decisões. No comportamento que é recompensado. Na forma como um cliente é tratado quando existe um problema. Na maneira como a empresa reage quando precisa escolher entre resultado imediato e reputação. No padrão de qualidade…
E principalmente naquilo que as pessoas aprendem que "aqui dentro, fazemos dessa maneira".
É por isso que a cultura empresarial é muito mais relevante do que um conjunto de palavras bonitas na parede. Não é só questão de posicionamento, é um modo de se pensar.
Quando uma decisão não possui uma regra específica, é a cultura que ajuda a decidir.
Quando o fundador não está presente, é a cultura que ocupa parte desse espaço. Ela é o que fica. Ela que faz o tempo seu aliado.
Empresas longevas enfrentam um problema que empresas novas ainda não tiveram
Para uma organização atravessar gerações de funcionários, lideranças e clientes, aquilo que antes estava concentrado em algumas pessoas precisa começar a existir na própria empresa.
É justamente aí que a cultura deixa de ser um assunto abstrato e passa a ser uma questão de continuidade empresarial.
Uma empresa só se torna maior do que seus fundadores quando aquilo em que eles acreditavam consegue funcionar sem depender permanentemente deles.
Então tudo é preservado?
Não. Se preservarem tudo, ficam ultrapassadas, mas, como já disse, se mudarem tudo, deixam de saber quem são. Essa talvez seja uma das competências mais difíceis de construir.
Ao longo de 20 ou 30 anos, uma empresa inevitavelmente terá que abandonar práticas que um dia foram importantes. Mas isso não significa que tudo precise ser abandonado.
Na verdade, pode ser justamente o contrário.
E voltamos ao barco de Teseu. Uma cultura sólida não deveria impedir uma empresa de mudar, ela é o que permite que ela mude sem perder sua identidade.
Imagine uma empresa que sempre valorizou a proximidade com o cliente. Há 30 anos, essa proximidade poderia acontecer por meio de vendedores visitando pessoalmente cada operação. Hoje, ela pode envolver tecnologia, dados, atendimento digital e sistemas muito mais sofisticados.
A ferramenta mudou, mas o princípio segue ali.
Cultura forte não significa pessoas iguais
Também existe um risco nessa discussão. Empresas podem interpretar cultura forte como necessidade de contratar pessoas que pensam da mesma maneira.
Isso produz conformidade, não necessariamente cultura.
Uma organização saudável precisa conseguir receber novas pessoas, novas competências e novas ideias sem interpretar toda discordância como ameaça à identidade. Aliás, depois de décadas, isso se torna ainda mais importante. Novas gerações precisam questionar processos antigos. Uma cultura frágil precisa proteger-se do novo.
Uma cultura sólida consegue conversar com ele.
Os 30 anos da Arcofoods representam mais do que permanência
É nesse contexto que os 30 anos da Arcofoods ganham outro significado.
Mudaram os restaurantes. Mudaram os consumidores. Mudaram os canais. Mudaram as ferramentas, mas a própria empresa conseguiu mudar junto. Critérios que foram transmitidos enquanto pessoas, processos e tecnologias mudavam.
Hoje, a Arcofoods combina sua atuação no food service carioca com investimento em tecnologia aplicada à logística, vendas e inteligência de mercado, ao mesmo tempo, mantém entre seus valores declarados princípios como excelência, força do trabalho, valorização das pessoas e ética. Não são palavras-chave, mas sim valores defendidos diariamente.
A própria trajetória recente da Arcofoods reforça isso: justamente no ano em que celebrou seus 30 anos, a empresa também conquistou a certificação Great Place to Work.
São pessoas transmitindo critérios para outras pessoas. Lideranças formando novas lideranças. Conhecimento sendo acumulado. Erros virando aprendizado. Relações sendo preservadas. E uma maneira de trabalhar sendo atualizada sem precisar ser reconstruída do zero a cada nova geração.
É assim que a cultura começa a ganhar valor econômico.
Tecnologia pode ser comprada.
Portfólio pode ser ampliado.
Processos podem ser copiados.
Mas nenhum concorrente consegue pegar sua essência empresarial.